vou me formar em psicologia

27.02.2019 | Por: Psicologia Empreendedora

Vou me formar em psicologia em um país em crise, e agora?

Sair da graduação para tentar um lugar no mercado é um momento de muitas incertezas, não é mesmo?

Você estudou muito durante os últimos cinco anos, leu de tudo, e mesmo assim, na maioria das vezes, sai da graduação sem se sentir preparado para atuar de forma autônoma. Muitos de nós, recém-formados, não temos os contatos corretos, não sabemos oferecer um serviço, ou mesmo identificar o público que se beneficiaria de nossos trabalhos.

Pensamos então que este não seria o momento certo para empreender com a psicologia, pois no início da carreira, precisamos de renda e de prática para nos sentirmos seguros profissionalmente. Dessa forma, temos uma solução óbvia para este dilema… Precisamos de um emprego. Ótimo, resolvemos um problema!

Em nossa busca, encontramos mais um complicador. Com a crise econômica no Brasil, a abertura de novos empregos na iniciativa privada está cada vez mais escassa, e quando são abertas, as vagas abrem com salários baixos, com poucos benefícios e baixa estabilidade, ou às vezes, com atividades que não temos afinidade, e que pensamos que não nos sentiríamos satisfeitos executando.

Vamos pra iniciativa pública? Também por causa do momento econômico atual, há o corte de recursos para gastos com pessoal, reduzindo consequentemente o número de novas entradas para o serviço público, então os concursos para psicólogo, que já eram poucos, podem acontecer com frequência ainda menor.

Com tudo isso, ao sair da graduação em psicologia, enfrentamos uma fase de incertezas quanto ao ingresso no mercado. Ficamos às vezes com medo de não termos sucesso profissional, mesmo tendo estudado muito. Questionamos se escolhemos a carreira certa. Esse cenário é real, e cresce a cada semestre, quando as faculdades brasileiras despejam mais centenas de graduados no mercado.

Se você não se sente aflito, experimente jogar no Google as expressões “vou desistir da psicologia” ou “desemprego na psicologia” e leia os relatos de nossos colegas. Estamos com um problemão, não é mesmo? Estávamos tentando resolver o nosso problema de empreendedorismo ou empregabilidade na psicologia e acabamos enrolados ao percebermos que o problema é geral no Brasil, pois diversos campos profissionais no país acumulam formados desempregados. Qual a solução? A mais óbvia, e mais louca: vamos tentar resolver o problema do Brasil, oras.

Então vamos lá. Você lembra que na psicologia usamos boas e sólidas teorias para fundamentar a intervenção nos problemas dos nossos clientes? O mesmo iremos fazer com o nosso cliente do momento, o Brasil. O que fortes correntes na economia apontam é que um dos fatores para o enriquecimento de uma nação é a junção de dois elementos: poupança e empreendedorismo.

Temos riquezas em um país à medida que as pessoas deixam de gastar recursos em algo (poupança) e passam a investir esse recurso em outra coisa que vai trazer ainda mais recursos, e que pode impactar outras pessoas (empreendedorismo). Exemplo simples: João começa a poupar 100 reais todo mês, deixando de gastar em algo que percebe que não é importante para ele. No final do período de um ano, ele se junta com amigos, que também fizeram suas economias, e todos investem em um negócio. Imaginem que esse negócio deu certo, os sócios conseguem lucros, e com o tempo precisam empregar mais pessoas para o negócio rodar. O que aconteceu nesse caso? Recursos foram transferidos de algo menos produtivo, e foram destinados para uma iniciativa que gerou renda para os proprietários, empregou pessoas e forneceu produtos para a sociedade.

Imagine esse fenômeno acontecendo na agricultura, saúde, educação, habitação, e outros setores do mercado. A solução para o problema financeiro do Brasil é complexa e trabalhosa, mas a partir do que pensamos até aqui, temos uma sugestão: precisamos de pessoas poupando, investindo, empreendendo, executando e consumindo em diferentes setores produtivos, sendo o empreendedorismo uma das forças para a mudança social.

O empreendedor transfere recursos de um lugar a outro na sociedade, multiplicando recursos, e resolvendo alguma necessidade das pessoas.

Agradeço se você já chegou até esse ponto na leitura, e você, leitor do Blog Psicologia Empreendedora, já deve ter uma noção da sua importância em todo esse processo.

O que você, psicólogo, precisa se dar conta é do potencial que a sua ciência e profissão tem enquanto desenvolvedora de pessoas e projetos que podem ajudar a transformar o país.

Se você trabalha em uma escola, você pode propor melhores processos de aprendizagem e acompanhamento de alunos, possibilitando o desenvolvimento de pessoas para liderar e executar projetos de impacto no futuro. Se você trabalha em uma organização, suas atividades contribuem para a produtividade do negócio, possibilitando mais recursos de capital, mantendo assim os empregos e possibilitando novos postos de trabalho.

O mesmo vale para a clínica e outras áreas da psicologia, que promovem o desenvolvimento de pessoas, dando ferramentas para enfrentarem o mundo de modo a levarem vidas cheias de sentido. Pensando assim, se temos uma crise, o nosso papel enquanto psicólogos empreendedores é superá-la, entregando para o mundo pessoas ativas e conscientes de suas potencialidades, em diferentes áreas e contextos, pois o que supera crises, como vimos, é a ação de pessoas.

Se você está para se formar em psicologia em um cenário de crise econômica e incertezas, não se desespere.

Aquele clichê dos palestrantes motivacionais de que devemos transformar crises em oportunidades faz todo sentido.

  • No Brasil de agora, o que será que as pessoas estão precisando desenvolver?
  • Como você pode ajudá-las?
  • Que recursos você desenvolveu durante a sua vida e formação que podem ser úteis para isso?

Certo, os anúncios de vagas de emprego não estão por aí aos montes, mas com muitas pessoas neste momento precisando de ajuda, cabe a nós entender qual a necessidade delas e se posicionar enquanto possibilidade de serviço que pode ir ao encontro dessas demandas.

Percebeu o impacto do seu trabalho enquanto psicólogo no momento atual?

Então, sendo você um formado no meio da crise, você chegou na hora certa, e se conseguir passar bem por ela não vai ter problemas depois.

Para ajudar você, traremos uma série de textos com habilidades que o psicólogo recém-formado deve desenvolver, e o que quero que você desenvolva esta semana é a habilidade principal pra maioria de nossas intervenções psicológicas: a observação.Tente captar a necessidade das pessoas.

Lembrem-se: psicólogos são pagos para resolverem problemas, e estes podem estar no trânsito, nos hospitais, nas empresas, ou onde quer que existam pessoas.

 

Escrito por Wesley do Nascimento

Psicólogo em formação, com experiência em Organizações.
Há tempos, passeia pelas questões que envolvem mercado, empreendedorismo e gestão de pessoas.

Pra falar comigo e me dar sua opinião do texto é fácil, só chamar no Whatsapp: (98) 8849-3732

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