Você é atrativo para seu cliente?

26.09.2019 | Por: Psicologia Empreendedora

Você é atraente para seus clientes?

O psicólogo sonha  com a existência de alguém pra fazer a captação do cliente em seu lugar. O que ele mais deseja é que alguém  colocasse na sala dele somente os interessados ou necessitados do trabalho, para que ele não tivesse problema nenhum para vender ou comunicar.

Até existem algumas plataformas digitais com esse objetivo, como a Vittude, ou o Doctoralia. Lá você cria um perfil profissional, descreve todas as suas competências e habilidades, e com isso as pessoas interessadas podem entrar em contato.

MAS VOCÊ SABE QUAL É O PROBLEMA MUITAS VEZES?

A grande maioria das pessoas nem SABE que tem uma demanda de tratamento ou treinamento psicológico, muitos sofrem ou fazem alguém sofrer, na mais completa inconsciência de seus atos.

Ou seja, as pessoas que mais precisam de terapia, talvez não entrem de cara nesses sites de busca de livre e espontânea vontade, simplesmente porque não tem nem noção de que precisam disso.

Dito isso então, fica claro que é necessário um trabalho anterior com essas pessoas, para que a consciência de seus problemas venha à tona. Precisamos fazer um trabalho de psicoeducação, seja de maneira presencial, seja de maneira online, exatamente com esse intuito. Gerar desejo de mudança de vida.

Mas, o grande segredo, é que SÓ A PSICOEDUCAÇÃO, não é o suficiente para gerar decisões de mudança no CURTO PRAZO. O resultado é real, mas demora para acontecer. Para que a mudança venha de maneira RÁPIDA, precisamos de uma oferta clara, e de um discurso persuasivo alinhado.

Muitos vão achar que ser persuasivo na psicologia poderia ser antiético, ou não indicado, mas vou explicar em que contextos esse discurso não só é ético como totalmente necessário como método de trabalho inclusive.

A  persuasão é a habilidade de construir um discurso mobilizador de atitudes. Ou seja, é a capacidade de argumentar a favor, ou contra um comportamento diferente do que está posto. Convencer, induzir ou mobilizar, seriam sinônimos.

Pense na seguinte situação:

“Sua filha ou sobrinha te contou que está com vontade de terminar com o namorado que a maltrata na frente dos amigos, mas não sabe muito como fazer isso. ”

Podemos escolher mandar pra ela textos, vídeos ou imagens com frases empoderadoras genéricas, com o intuito de mobilizá-la de sua situação ruim, intencionando que com isso ela tome coragem, tenha modelos e possa assim, terminar. Isso pode dar certo, mas depende 100% da disposição e habilidade da garota de “pescar” a mensagem, correlacionar isso com ela mesma, e ainda tomar atitudes. E ela pode, ou não estar preparada para isso.

Agora,  se sua abordagem for mais direta, e específica para o caso dela, com exemplos, desenhos que ela entenda pensados para ela, o resultado virá de forma mais rápida, trazendo mudanças mais efetivas na vida da garota. Afinal você faria o vínculo da mensagem com a vida dela, antes dela mesma. Com isso, você poderia inclusive evitar algo pior, pois em muitos momentos a garota não consegue perceber o óbvio da realidade na frente dela, pois está apaixonada, ou porque ainda não entendeu algum aspecto de uma relação afetiva. Não é verdade?

Agora pense, nesse caso, ser persuasivo seria positivo ou não? Claro que sim! Você evitou algo bem pior que ela não conseguiria se defender sozinha ainda!  Se isso ocorre numa conversa em família, imagine dentro do consultório!

Posto isso, nossa comunicação precisa ser persuasiva o suficiente para romper com as barreiras psicológicas do sujeito, com suas resistências e ajudá-lo a perceber a realidade. Se não fizermos isso, ele pode correr o risco de tomar decisões baseadas em fantasias, ou mesmo estar vivendo uma realidade paralela.

Isso é útil em milhares de contextos, no consultório, numa consultoria de RH, numa ONG, num hospital, e acredito eu em qualquer lugar em que humanos habitem.

PORQUE NÃO USAR ESSA SUA HABILIDADE PERSUASIVA PARA AQUELAS PESSOAS QUE AINDA NEM IMAGINAM QUE TEM UM PROBLEMA?

H0je em dia podemos fazer isso de inúmeras maneiras sejam elas OFFLINE ou ONLINE.

Uma única palestra numa igreja, falando sobre ansiedade e depressão, pode ser mobilizadora de muitas situações problema daquelas pessoas. Mas é só sua fala persuasiva que vai fazer com que elas tenham o desejo claro e URGENTE de pedir ajuda e de iniciar um trabalho com você.

E como fazemos isso operacionalmente?

Usando os 4 pilares da comunicação e imaginando que nossa fala com alguém, ou com um auditório, funciona como uma grande fala persuasiva:

1- Para quem você vai falar? – qual o público?

2- Em quanto tempo vai poder falar? – quanto mais curto o tempo, maior a habilidade de síntese.

3- O que você vai falar? – qual a tese? qual ideia você precisa trazer à tona?

4- Onde você vai falar? – numa sala, no carro, para uma webcam?

Com essas perguntas em mente, você será capaz de se precaver e compreender a melhor maneira de conversar com a pessoa que precisa ouvir e mudar algum comportamento.

A habilidade de conseguir contextualizar a fala para quem vai ouvir é SUPER necessária para que a pessoa se vincule com você e possa se sentir ouvida e validada.

Você não deve OBRIGAR NINGUÉM A CONCORDAR COM VOCÊ! Mas pode muito bem conversar com a pessoa e tentar trazer os melhores argumentos em relação à situação problema.

Se atente ao fato de trazer ao seu discurso 3 elementos com clareza: justiça (10%), lógica (25%) e emoção (65%).

Ou seja, não queira convencer ninguém na base do racional, isso não funciona! A mobilização precisa ser emocional! Por isso é preciso uma sensibilidade enorme à realidade do outro, para que saibamos o que precisamos tocar no discurso para que ele se emocione.

A emoção pode ser de alegria, de felicidade, de acolhimento e ternura, mas também pode ser de raiva, de medo ou até nojo. Não importa! O que importa é que funcione com aquela pessoa, ou com aquele grupo.

Precisamos lembrar que uma  emoção vai ser lida pelo nosso pensamento, se transformar num sentimento e daí isso se torna uma ação. Aeron Back fala muito disso. Mas não importa sua explicação teórica, mas que você entenda o processo.

Se queremos que alguém se mobilize para fazer algo diferente em sua vida, seja adquirir um novo hábito, seja educar seu paladar, seja parar de fazer algo ruim, precisamos entender esse processo.

Logo, investigamos a situação problema, compreendemos os fatos , explicamos o que entendemos ao cliente, alinhamos a percepção do que de fato é o problema,  propomos juntos novos caminhos, acompanhamos a implementação, verificamos os resultados, e aí se tudo der certo, a pessoa muda!

Portanto veja que tudo que fazemos , em última instância, é ALTAMENTE PERSUASIVO SEMPRE. Nossos métodos psicológicos tem o intuito de entender, compreender, explicar e PRECISA SER CAPAZ DE GERAR MUDANÇAS EFETIVAS NO OUTRO.

Ser psicólogo PORTANTO é ser o cientista da criação dos argumentos de porque o humano faz algo de modo X ou Y. Estudamos isso em todas as instâncias imagináveis. Logo, não deveríamos ter qualquer dificuldade de conversar com alguém, entender seu problema, criar uma hipótese e propor uma solução.

O bom psicólogo assume esse seu papel que acolhe, mas que também precisa devolver para a pessoa e para a sociedade, caminhos para a mudança e para a segurança e equilíbrio emocional. Um psicólogo omisso que não assume sua potência persuasiva, é INÚTIL! Não seja esse psicólogo.

Pois de nada adianta saber “acolher”, “ouvir” ou “cuidar” se a vida da pessoa vai continuar do mesmo jeito depois.

Dito isso, comece a refletir desde já, na sua postura ativa na profissão! Na sua capacidade persuasiva, e porque não, na sua capacidade de “vender” ao outro novos futuros possíveis!

Pense nisso e me conta o que você acha disso…

 

 

 

 

 

 

 

 

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